Membro do mentoria ribeirão participa de audiência pública acerca da utilização dos resíduos verdes de poda da cidade
Na última quinta-feira, 9 de junho, Ronaldo Endo, o “Kami” participou de sessão na Câmara Municipal que discutiu a necessidade de política pública de utilização dos resíduos verdes.
O projeto Hortas Comunitárias já rendeu ao Mentoria Ribeirão valiosíssimos produtos sociais, incluindo a criação de uma poderosa rede de apoio que se estende até o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutrição (COMSEAN). Nessa semana, esse relacionamento tão importante ampliou sua atuação na vida cotidiana na cidade de Ribeirão Preto: foi discutido na quinta-feira (9), em audiência pública, a necessidade de um projeto de lei que facilite e subsidie uma política pública de utilização e distribuição dos resíduos verdes de poda da cidade, hoje reunidos na Usina de Reciclagem de Resíduos Verdes, nos arredores da cidade.
As hortas em sistema agroflorestal, impulsionadas pelo Conselho e aplicadas no projeto Hortas Comunitárias do Mentoria Ribeirão, utilizam, ao invés de aditivos e adubos químicos, o chamado “pó de pau”. Esse substrato riquíssimo em nutrientes e microrganismos consiste em resíduos verdes de poda como galhos, gramas e troncos picados e triturados. Nesse ambiente, desenvolvem-se organismos que processarão os nutrientes das antigas plantas e os devolverão ao solo.
Dessa forma, a utilização do “pó de pau” estimula um ambiente como aquele encontrado em ecossistemas naturais e dá ao solo e às plantas nele inseridas nutrientes importantes para seu desenvolvimento, garantindo uma horta saudável em sistema agroflorestal. Essa riqueza, aliada ao consórcio e à estratificação praticadas pelo modelo, é o que garante uma policultura produtiva e que exige de seus cuidadores poucos recursos e tempo de dedicação, mostrando-se assim mais barata e de mais baixa manutenção que os outros modelos.
Contudo, as hortas urbanas e periurbanas têm encontrado dificuldade para acessar esse insumo, que, apesar de gratuito, atualmente apresenta algumas dificuldades. Dessas, destaca-se o fato de que os caminhões disponíveis para transporte são, por vezes, grandes demais para acessar certos locais, e as populações, sobretudo aquelas em assentamentos precários que querem assegurar sua segurança e soberania alimentar, muitas vezes não possuem recursos para buscar esse material de forma eficaz ou de contratar terceiros para fazê-lo.
Por isso a sessão dessa quinta se mostrou de profunda importância. “A logística do resíduo de poda urbana é um dos principais fatores
limitantes de produção”, alega Kami em sua apresentação à audiência. Tal contratempo já causou atrasos nos mutirões e adiamento do acesso à população da Comunidade da Paz ao alimento ali produzido.
Com a discussão, espera-se dar o pontapé inicial na institucionalização de uma política pública que auxilie esse público na busca pela segurança alimentar. Para isso, é necessário que seja elaborado, aprovado e colocado em prática um projeto de lei que sustente a política. Assim, entende-se que é um caminho longo até o objetivo final. Contudo, nós do Mentoria Ribeirão, ficamos felizes de fazer parte desse movimento de mudança.